Crédito da Imagem: José Rodrigues
Por Wellyngson Arruda
O
claro caminho de Clara é um espetáculo infantil, produzido como resultado
das vivências de pesquisas do Núcleo de Pesquisa de Teatro para a Infância (NUPETI)
do Centro Cultural Benfica. A peça discute de modo particular as subjetividades
da infância, sendo os personagens desenvolvidos a partir dos relatos da
infância dos membros e das pesquisas do universo cognitivo da criança.
Clara dos Anjos é uma criança que quer crescer rapidamente e todo o enredo do espetáculo é pautado no caminho que ela traça em busca desse ‘algo mágico’ que a transforme em adulta e permita que ela seja livre como estes. Para chegar a esse lugar ‘mágico’- onde o rio encontra com o mar -, ela precisa percorrer todo o caminho marginal ao proscênio, um rio coberto de mosaico de tule, que aparenta ser claro, mas na verdade não o é.
Nesta travessia, ela encontra com outros personagens: a Menina, personagem inspirado no relato de uma das atrizes e no livro A menina que roubava livros, que se comunica exclusivamente verbalizando títulos de obras literárias; um Louva-deus antropomorfo que representa a consciência do sujeito, sua razão, lembra o conhecidíssimo Grilo-falante; Simplício Simplório da Simplicidade Simples, que explica tudo em mínimos detalhes, inclusive o que não lhe foi perguntado, dando um tom cômico à encenação e personificando a fase dos ‘porquês’; Dodói sem Sobrenome, personagem hipocondríaco e sempre doente, que nos remete à fase da infância quando, às vezes, fingíamos um mal estar para ficar em casa e que é totalmente submisso a Naída Navolta Revolta, personificação do sentimento egocêntrico da criança.
Além destes personagens, o caminho de Clara vai ficando mais claro quando ela encontra a Curviana, personagem fantástico que simboliza o vento e que, nesta montagem, também auxilia Clara a compreender que tudo tem seu tempo e que seu caminho é, na verdade, voltar para casa, para seus pais e para sua infância.
O espetáculo propõe uma atmosfera lúdica e tem como conceito as poéticas gótica e medieval, ambientando-as nos figurinos, nos cenários e na sonoplastia de forma perceptível e harmoniosa. As tapadeiras representam vitrais de catedrais, como a de Notre Dame, em que os atores fora de cena, executam a sonoplastia e os efeitos de cada cena. Vale ressaltar que estes vitrais longilíneos e verticais, quando banhados pela luz dos refletores, transmitem a atmosfera de cores e sentimentos que se refletem nos figurinos das personagens.
O texto simples e carregado de signos abstratos trata de uma metáfora sobre os momentos em que as crianças estão apenas tentando descobrir os porquês do mundo e da vida. O que nos leva a perceber que a idade de Clara não é determinada, considerando que as crianças possuem várias fases nas quais a vontade e o medo de crescer se mesclam com os momentos de egocentrismo e de coragem de tentar coisas novas. Dessa forma, o espectador compreende a peça de acordo com sua bagagem experiencial, seja uma criança que observa e se vê em cena ou um adulto que reflete sobre sua trajetória. É um espetáculo que está em processo e a reflexão do público, assim como as interações das crianças, demonstram um futuro animador para ele.
Apesar de não ser um consumidor assíduo do gênero teatral infantil, acredito que é interessante assistir um espetáculo no qual se nota a evidência de pesquisa atrelada a um resultado estético satisfatório. Consegui lembrar de momentos de minha infância e de minha juventude, nos quais o medo, ainda que infundado, parece ser tudo que existe e também que o acolhimento é sempre bem vindo como no encontro de Clara e Curviana que arremata a virada no enredo e demonstra o entendimento de Clara sobre a necessidade de passar e aproveitar cada um dos momentos mágicos da vida.
Para saber a opinião dos espectadores e melhorar a satisfação do público futuro, o elenco realiza mediações no final do espetáculo, tanto por uma ficha quanto pelo diálogo com a platéia, mostrando o seu desejo na aproximação entre as partes e demonstrando que o crescimento é almejado por eles. Por tudo, isso acredito na proposta do espetáculo e espero que o grupo continue trabalhado em seu desenvolvimento, pois com tamanha abrangência de signos, sentimentos e lembranças do variado público, fica clara a possibilidade de uma maior organicidade na montagem e, portanto, de melhoria na sua qualidade.
Clara dos Anjos é uma criança que quer crescer rapidamente e todo o enredo do espetáculo é pautado no caminho que ela traça em busca desse ‘algo mágico’ que a transforme em adulta e permita que ela seja livre como estes. Para chegar a esse lugar ‘mágico’- onde o rio encontra com o mar -, ela precisa percorrer todo o caminho marginal ao proscênio, um rio coberto de mosaico de tule, que aparenta ser claro, mas na verdade não o é.
Nesta travessia, ela encontra com outros personagens: a Menina, personagem inspirado no relato de uma das atrizes e no livro A menina que roubava livros, que se comunica exclusivamente verbalizando títulos de obras literárias; um Louva-deus antropomorfo que representa a consciência do sujeito, sua razão, lembra o conhecidíssimo Grilo-falante; Simplício Simplório da Simplicidade Simples, que explica tudo em mínimos detalhes, inclusive o que não lhe foi perguntado, dando um tom cômico à encenação e personificando a fase dos ‘porquês’; Dodói sem Sobrenome, personagem hipocondríaco e sempre doente, que nos remete à fase da infância quando, às vezes, fingíamos um mal estar para ficar em casa e que é totalmente submisso a Naída Navolta Revolta, personificação do sentimento egocêntrico da criança.
Além destes personagens, o caminho de Clara vai ficando mais claro quando ela encontra a Curviana, personagem fantástico que simboliza o vento e que, nesta montagem, também auxilia Clara a compreender que tudo tem seu tempo e que seu caminho é, na verdade, voltar para casa, para seus pais e para sua infância.
O espetáculo propõe uma atmosfera lúdica e tem como conceito as poéticas gótica e medieval, ambientando-as nos figurinos, nos cenários e na sonoplastia de forma perceptível e harmoniosa. As tapadeiras representam vitrais de catedrais, como a de Notre Dame, em que os atores fora de cena, executam a sonoplastia e os efeitos de cada cena. Vale ressaltar que estes vitrais longilíneos e verticais, quando banhados pela luz dos refletores, transmitem a atmosfera de cores e sentimentos que se refletem nos figurinos das personagens.
O texto simples e carregado de signos abstratos trata de uma metáfora sobre os momentos em que as crianças estão apenas tentando descobrir os porquês do mundo e da vida. O que nos leva a perceber que a idade de Clara não é determinada, considerando que as crianças possuem várias fases nas quais a vontade e o medo de crescer se mesclam com os momentos de egocentrismo e de coragem de tentar coisas novas. Dessa forma, o espectador compreende a peça de acordo com sua bagagem experiencial, seja uma criança que observa e se vê em cena ou um adulto que reflete sobre sua trajetória. É um espetáculo que está em processo e a reflexão do público, assim como as interações das crianças, demonstram um futuro animador para ele.
Apesar de não ser um consumidor assíduo do gênero teatral infantil, acredito que é interessante assistir um espetáculo no qual se nota a evidência de pesquisa atrelada a um resultado estético satisfatório. Consegui lembrar de momentos de minha infância e de minha juventude, nos quais o medo, ainda que infundado, parece ser tudo que existe e também que o acolhimento é sempre bem vindo como no encontro de Clara e Curviana que arremata a virada no enredo e demonstra o entendimento de Clara sobre a necessidade de passar e aproveitar cada um dos momentos mágicos da vida.
Para saber a opinião dos espectadores e melhorar a satisfação do público futuro, o elenco realiza mediações no final do espetáculo, tanto por uma ficha quanto pelo diálogo com a platéia, mostrando o seu desejo na aproximação entre as partes e demonstrando que o crescimento é almejado por eles. Por tudo, isso acredito na proposta do espetáculo e espero que o grupo continue trabalhado em seu desenvolvimento, pois com tamanha abrangência de signos, sentimentos e lembranças do variado público, fica clara a possibilidade de uma maior organicidade na montagem e, portanto, de melhoria na sua qualidade.
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